Em 2017 fomos apresentados a um dos piores filmes de heróis de todos os tempos. O pior que este filme tratava da maior equipe de todas dos quadrinhos, a Liga da Justiça.

Após apresentar sua visão dos quadrinhos da DC em Man of Steel e dividir opiniões em um controverso BATMAN VERSUS SUPERMAN, Zack Snyder tentava apresentar ao mundo a sua visão dos maiores heróis da Terra. Mas pressionado pelos números do seu ultimo filme e por uma catástrofe familiar, o suicídio de sua filha, Zack Snyder foi durante a produção da Liga afastado do processo.

Para seu lugar foi chamado Joss Whedon, diretor do estrondoso sucesso Vingadores, da Marvel. Joss teria sido chamado para trazer um pouco de leveza e humor aos diálogos, algo que ele realmente fez com maestria em Vingadores.

Mas toda pessoa que já tenha visto algo de Zack sabe que o tom dos filmes deles, até mesmo do seu
humor, são completamente distinto de Vingadores.

Liga da Justiça então se afundou em problemas. Se tornou um filho sem dono, com problemas de continuidade, efeitos mal feitos, roteiro desmembrado e tantas outras inúmeras falhas. Esses problemas foram além do filme, com inúmeras denúncias de conduta entre atores e diretores. E uma estranha história começou circular. Que
havia um corte de filme, praticamente todo filmado, que era muito diferente do filme que foi as telas, com a visão completa de Snyder. Um movimento então começou na internet, e essa talvez seja a maior história desse filme, um movimento único, um clamor para que a visão de um artista fosse respeitada e fosse divulgada. E por mais improvável que esse movimento fosse ao início, ele ganhou força durante os anos e acabou se tornando realidade em 2021. O famoso Zack Snyder’s Justice League Cut. Quanto ao filme, podemos ter tido uma aula de cinema nesse processo.

Ver a versão antiga, com as mesmas cenas, mas com pequenas mudanças de falas e com recortes diferentes nos mostraram o quão importante é o trabalho de um diretor.

Não apenas quanto a dirigir os seus atores, orienta-los nas falas e nas entonações. Mas sim o trabalho de organizar o roteiro, colocar essas cenas de forma que nos dê uma compreensão das cenas e que conduza os nossos pensamentos em uma direção. Foi isso que vimos na versão de Snyder.

Coerente com a sua proposta dos dois filmes anteriores, o Snyder Cut é infinitamente superior a versão de quatro anos atras. Em todos os aspectos possíveis. Nos efeitos, no roteiro, e principalmente na construção dos personagens. Todos são melhores, mas destaco aqui dois em particular.

Cyborg que é literalmente a alma desse filme, envolvido de maneira especial com a trama, tudo passa por ele e quanto mais ele esta em tela melhor é o filme, mais consistente é seu roteiro e mais lógicas são as decisões de todos os personagens ao redor. E outro é o Superman.

Eu particularmente gosto muito da visão do diretor para o filho de krypton, fazendo dele uma espécie de Jesus Cristo vindo do espaço. Apesar de não gostar de Batman versus Superman dá para entender claramente cada passo dado na jornada de Kal’el, seu distanciamento dos humanos e a sua perfeita imperfeição natural.

E ele de uniforme negro é um baita serviço aos fãs da DC de todo o mundo. Mais do que o próprio filme, Liga da Justiça acabou se tornando uma grande jornada, dentro e fora das telas, contra um mal que infelizmente muitas vezes move o mundo: a ganância por poder e dinheiro.

O fato desse corte ter sido divulgado mostra força das pessoas quando elas se unem, mesmo que seja por um simples filme. Imaginem se nos reuníssemos como uma verdadeira Liga da Justiça para enfrentar a tamanha desigualdade que nos assola?

Quem sabe poderíamos fazer desse mundo algo de fato melhor. Que essa seja a verdadeira mensagem de esperança ao final.

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Julio Galvão