Vamos celebrar o Dia Internacional do RPG!

Hoje, 4 de março, é o Dia Internacional do RPG! Este dia foi criado por um membro do fórum ENWorld em 2002, em homenagem a Gary Gygax, um dos criadores de Dungeons and Dragons

Nesta data tão especial, vamos compartilhar histórias e homenagear nossos mestres do jogo, narradores, árbitros, mestres de masmorras e a todos que se esforçam para tornar o nosso hobby tão divertido!

Perguntamos para os DMs que estão em atividade no Bar Princesa qual é a importância do RPG para cada um deles e dela. Confira, a seguir, os depoimentos da DM Tomoe Gabi (Moonshae) e dos DMs 3L (Santuário), Bravesword (Legends of the Five Rings), Leo (Ravenloft). 

DM Tomoe Gabi

“RPG representa na minha vida minhas relações mais duradouras e verdadeiras. A grande maioria dos meus amigos surgiu das mesas de RPG e os mais próximos definitivamente conheci dividindo histórias maravilhosas e rolar de dados. Conheci meu marido, estamos juntos há 23 anos quando joguei minha primeira mesa de Vampiro a Máscara 2a edição. 

O RPG está presente na minha carreira profissional, hoje trabalho para clientes internacionais, graças ao incentivo de aprender inglês traduzindo as regras, aventuras e livros para jogar. 

Além de tudo isso, é meu espaço seguro de escape criativo, onde eu posso criar mundos, personagens e histórias para compartilhar com todas essas pessoas maravilhosas. Onde eu posso ser muito além de mim mesma, versões diferentes e ilimitadas de mim, fugir da prisão da realidade que muitas vezes nos lança para baixo, e me salvou da pressão do afastamento social da pandemia, e toda a angústia que passamos nesses últimos dois anos. Acho que o RPG define quem eu sou – uma e muitas, em constante mudança, um espírito e mente livre!”

DM 3L

“Meu primeiro contato com RPG foi quando eu estava entrando no ensino colegial. Para um introvertido que até aquela data tinha nascido e morado a vida toda no mesmo apartamento, que havia estudado no mesmo colégio desde o ensino fundamental, ter a possibilidade explorar as mais profundas catacumbas, conhecer infinitos personagens com a segurança de estar com amigos foi indescritível. 

O RPG acabou rapidamente se tornando minha atividade de lazer favorita, dando o apoio emocional de uma atividade lúdica sadia e diretamente ajudou a expandir meu diminuto círculo de amizades. É incrível como compartilhar essas experiências “virtuais” na mesa de jogo cria laços reais entre os participantes do jogo que tendem a perdurar por toda a vida. Algumas estão completando 30 anos.

Já na vida adulta, o fiel companheiro (RPG) sempre ajudou a ter uma válvula de escape saudável para lidar com as pressões que surgem para todos. Vida de pagar boletos é estressante, não é? 

O caminho foi longo, mas durante três décadas passei por dúvidas sobre o que fazer na vida profissional, casei, mudei de país, aceitei os desafios da paternidade e com idas e vindas sempre tentando manter próximo com o jogo.

Hoje, graças ao RPG (e a tecnologia disponível), mantenho contato com pessoas muito queridas que estão muito distantes e que conheço desde que me entendo por gente. 

Para mim o RPG é esse porto seguro (cheio de dragões e criaturas maravilhosas) onde, mesmo quando não consigo jogar, só de saber que ele está ali, me ajuda a navegar pelas águas da vida. Feliz dia internacional do RPG para todos nós!”

DM Bravesword

“Conheci o RPG bem novo, por volta de 9 ou 10 anos. No princípio, achei um jogo bem curioso, ainda que um tanto quanto estranho, pois misturava conceitos de jogos de tabuleiro, teatro e improvisação, leitura, miniaturas… Coisas que eu jamais pensei que poderiam caber em uma única experiência, mas que lá estavam! Curiosamente, eu sempre gostei de todos esses componentes individuais, então com certeza aquilo chamou a minha atenção!

O ponto de virada para mim foi um dos livros jogo da série “Aventuras Fantásticas”, o Calabouço da Morte. Lembro de devorar cada página do livro, de rabiscar quase que à exaustão a ficha de personagem que o acompanhava, anotando pontos de vida, sorte, habilidades, itens encontrados… Não tardaria para eu começar a jogar outros jogos, como Hero Quest, Dragon Quest e finalmente o Dungeons & Dragons, naquela caixa evocativa do dragão vermelho, que a Grow tinha trazido para o Brasil e que ganhei de presente de aniversário!

Formei vários grupos, e curtia ensinar a garotada a jogar esse jogo que despertava tantas sensações e experiências únicas em inúmeras pessoas! Meu primeiro emprego foi como instrutor e “Mestre” em eventos e feiras escolares, trabalhando para a Editora Abril Jovem! Logo conhecemos outros sistemas e cenários: Vampiro, Lobisomem, Star Wars (fiquei extasiado quando descobri que haviam feito um RPG sobre os filmes!), e não tardou para começar a aprender inglês para ler aqueles livros cheios de regras, ilustrações e imaginação! 

Enquanto a maioria das pessoas gostaria de ir para a Disney, meu sonho sempre foi conhecer a Gen Con, uma das mais conhecidas feiras do hobby! Finalmente realizei esse sonho em 2014, e vi o quanto essa energia de compartilhar momentos jogando dados e contando histórias era tão similar mesmo com estranhos do outro canto do mundo! Ver os autores, desenhistas e artistas que tanto admirava também foi muito especial!

O RPG foi (e ainda é, na verdade) algo que marcou a minha vida e mudou para sempre a forma com a qual encaro o mundo. Seja pelas indagações e reflexões trazidas em roteiros e aventuras, por sedimentar meu amor pela leitura e um desejo ainda latente de escrever algo, pelos erros e acertos nas mesas de jogo, ou até mesmo pelos desafios decorrentes de empreender e, efetivamente, criar novos mundos e cenários em uma editora… eu devo muito da minha formação pessoal e profissional a esse jogo criado por dois (ou mais) sonhadores lá nos idos dos anos 70, e que eu meio que jogava sem sequer conhecê-lo quando pequeno, ao criar histórias e sagas fantásticas com os meus brinquedos e bonequinhos!”

DM Leo

“RPG faz parte da minha identidade, algo que me define cultural e socialmente. É uma das mais importantes e constantes peças que me constitui e define minha história de (quase) meio século de vida. 

É o meu hobby. Comecei jogando em mesas jurássicas e antediluvianas quando o Brasil parecia estar mudando. Era 1985, havia sido eleito o primeiro presidente após 20 anos de ditadura militar, vivíamos a febre do Rock in Rio e me foi mostrado a 1a edição de Dungeons and Dragons. 

Por anos, foram buscas por mesas, conhecer e obter dezenas de sistemas de editoras diferentes, infinitas, insondáveis, inenarráveis e incalculáveis horas de preparação, discussão e leitura, muita e muita  leitura, tudo por essa paixão.

Por motivos da vida, estudos e trabalhos, por alguns períodos me afastei e voltei do hobby, afastei e voltei de novo, mas agora me encontro inserido e mais ativo. E nesse período de pandemia, foi uma das coisas que ajudou a segurar a ansiedade. 

Foi profissão. Comecei a mestrar muito, muito mesmo. Mesas abertas a qualquer um que quisesse conhecer. Fui convidado a trabalhar em uma livraria que estava criando um setor para essa nova modalidade de “literatura”. A extinta livraria Bakana em Belo Horizonte. Depois disso, em 1992, o que era um setor da loja virou o Clube Jabbewoork de RPG, posteriormente se transformou numa loja que vendia RPG e quadrinhos e onde fui sócio. Depois, com a criação meses depois do magic, spellfire e outros, éramos também uma loja de cards games. Participei dos primeiros encontros regionais e até organizei alguns, inclusive nacionais. Guardo até hoje o cartaz do 1o Encontro Internacional de RPG. hoje um pôster tosco, mas que nos dava ideia que a coisa iria crescer. 

É também foco de mudanças. do mesmo jeito que os RPGs mudam de edição, a comunidade de jogadores e eu mesmo, mudamos. O que antes era elitista e machista, ainda bem que tem mudado e se tornando mais amplo e inclusivo. Com o tempo, o contato com uma variedade de pessoas me fez repensar e mudar, e ainda continuo mudando,  comportamentos e impressões. 

Hoje me surpreendo com fotos antigas. Como a do 2º Encontro Mineiro de RPG, da Livraria Leitura, com umas 30 pessoas, entre mestres e apoio, e só havia duas mulheres. Ou a foto de um encontro que organizei em um shopping, onde todos os presentes havia apenas uma pessoa negra. 

RPG é o cerne de amizades que se tornam fiéis, duradouras e presentes. Fiz amizades que já duram quase quatro décadas. E estamos até hoje conhecendo pessoas novas e interessantes. Esse papo de brother (e também sister) in arms funciona, kkkk. Um ano e meio de finais de semana com Night Below, um ano de Rod of Seven Parts. Dois anos de Werewolf, enfrentando três encarnações diferentes do Samuel, passando pros Caers na Amazônia, Austrália e Rússia e até em outros mundos.  São várias histórias e universos diferentes e com elas, várias pessoas se divertindo. Grandes sagas trazem  grandes amizades. Dentro disso vem o próximo e  importante tópico na minha vida. 

Seguindo a ideia de grandes sagas, a maior de todas é meu casamento, física e metaforicamente. Em 2000, chamei uns amigos e uma antiga e querida cliente da loja para uma nova aventura, com a então recém-lançada 3a edição de Dungeons and Dragons. Essa longa saga continuou como RPG até 2012, quando já tínhamos seis anos de casados e os personagens estavam pra lá de épicos. É foi metagame mesmo… Mas a continuidade real dessa história é manter a percepção e intuição altas, às vezes sair de armadilhas, evitar as falhas críticas e carinho, muito carinho para manter esse amor…”

E aí, curtiu? Tem alguma história bacana relacionada ao RPG? Compartilhe com a gente!

Publicado por Lu d'Anunciação

Jornalista, Relações Públicas, Especialista em Gestão da Comunicação e Mestra em Estudos de Linguagens - Análise do Discurso do Cefet-MG. Gosto da natureza, de literatura, HQs, cinema, séries de TV, rpg, board games, de música boa e de nerdices em geral! Adoro preparar quitutes e receber os amigos. Insisto em ser feliz e sou altamente convivível! E amo o Leo!!! Além deste blog, tenho também o www.jeitosaudavel.wordpress.com e sou colunista de RPG e HQs do site Garotas Geeks - www.garotasgeeks.com

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